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VOCÊ NÃO É O QUE FAZ


Por: Mara Lúcia Madureira há 7 meses

VOCÊ NÃO É O QUE FAZ

Leonardo da Vinci não pode ser representado apenas por sua famosa obra, o quadro conhecido por Mona Lisa. Além de pintor, escultor, arquiteto, engenheiro, inventor, foi um curioso, obcecado pela exatidão. Rival de Michelangelo, filho “ilegítimo” de um tabelião com uma ex-escrava, nada impediu seu destaque na história.

Vemos, desse modo, a insensatez em subestimar o potencial humano e supervalorizar as adversidades. Há que se pensar na magnitude do ser, em seus talentos e dons, no ambiente, nas oportunidades e motivações.

Estar ao lado de pessoas bem sucedidas não nos isenta da responsabilidade de fazer melhores escolhas e sermos reconhecidos por nossos próprios méritos. Qual papel você desempenha nesse palco chamado vida? Sob quais holofotes você brilha? À sombra de quem você se esconde?

Não dá mais para aceitar que um rótulo ou evento, por mais crônico que seja, determine destinos. Já passou o tempo em que uma pessoa era diagnosticada como dependente químico ou se autodefinia “adicto” e todos à sua volta se resignavam em conviver com um doente irrecuperável. Está superada a fase em que a família se envolvia no manto da vergonha e se submetia a abusos, por medo da exposição.

Não se julga uma história por uma foto, um momento congelado no tempo. O foco no problema impede considerar soluções, outras opções antes não pensadas. Uma pessoa não é o que ela faz, nem o que ela come, possui, fuma ou cheira. Uma pessoa é, essencialmente, uma fonte de infinitas possibilidades de atuação e resoluções. Enquanto a mente estreitada perceber apenas os aspectos disfuncionais, o potencial criativo ficará obscuro.

Uma casa é mais do que a soma de seus cômodos. Avalie o porão, mas não deixe de contemplar o jardim. Evite os ruídos sem ignorar as melodias. Trate a doença, mas não despreze a capacidade. Veja a vida em 360 graus e não sob ângulos. Pense em gente de modo pleno, não em partes.


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